{"id":9759,"date":"2021-07-06T10:57:19","date_gmt":"2021-07-06T13:57:19","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=9759"},"modified":"2021-07-06T10:57:19","modified_gmt":"2021-07-06T13:57:19","slug":"mortalidade-infantil-norte-e-nordeste-concentram-maior-taxa-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2021\/07\/06\/mortalidade-infantil-norte-e-nordeste-concentram-maior-taxa-do-pais\/","title":{"rendered":"Mortalidade infantil: Norte e Nordeste concentram maior taxa do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil 80% da mortalidade infantil est\u00e1 concentrada em 21% dos munic\u00edpios localizados, principalmente, na regi\u00e3o Norte e Nordeste. Os dados foram levantados pelo \u00cdndice de Gest\u00e3o Municipal Aquila (IGMA), ferramenta de big data, a partir do programa Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No ranking dos estados que concentram maior taxa de mortalidade infantil est\u00e3o Roraima (20,69%), Amazonas (19,77%), Acre (18,04%), Amap\u00e1 (16,78%), Sergipe (16,76%) e Bahia (15,27%). Para o professor de pol\u00edticas p\u00fablicas do Ibmec Bras\u00edlia, Eduardo Galv\u00e3o, esses dados apresentam uma perspectiva positiva. \u201cIsso porque se 80% do problema est\u00e1 concentrado em apenas 20% dos munic\u00edpios, isso significa dizer que com uma concentra\u00e7\u00e3o de 20% dos esfor\u00e7os, conseguimos resolver 80% do problema. Ou seja, n\u00e3o precisa de um esfor\u00e7o bastante pulverizado. Uma aten\u00e7\u00e3o dedicada, concentrada a esses poucos munic\u00edpios, j\u00e1 vai ter um grande impacto nas pol\u00edticas p\u00fablicas.\u201d<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<colgroup>\n<col span=\"3\" width=\"64\" \/> <\/colgroup>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" align=\"center\" width=\"192\">Ranking da m\u00e9dia da taxa de mortalidade infantil no Brasil por estado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">1<\/td>\n<td align=\"center\">RR<\/td>\n<td align=\"center\">20,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">2<\/td>\n<td align=\"center\">AM<\/td>\n<td align=\"center\">19,77<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">3<\/td>\n<td align=\"center\">AC<\/td>\n<td align=\"center\">18,04<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">4<\/td>\n<td align=\"center\">AP<\/td>\n<td align=\"center\">16,78<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">5<\/td>\n<td align=\"center\">SE<\/td>\n<td align=\"center\">16,76<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">6<\/td>\n<td align=\"center\">BA<\/td>\n<td align=\"center\">15,27<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">7<\/td>\n<td align=\"center\">PI<\/td>\n<td align=\"center\">14,99<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">8<\/td>\n<td align=\"center\">PA<\/td>\n<td align=\"center\">14,62<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">9<\/td>\n<td align=\"center\">MA<\/td>\n<td align=\"center\">14,03<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">10<\/td>\n<td align=\"center\">MT<\/td>\n<td align=\"center\">13,98<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">11<\/td>\n<td align=\"center\">PB<\/td>\n<td align=\"center\">13,65<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">12<\/td>\n<td align=\"center\">CE<\/td>\n<td align=\"center\">13,65<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">13<\/td>\n<td align=\"center\">RJ<\/td>\n<td align=\"center\">13,29<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">14<\/td>\n<td align=\"center\">MG<\/td>\n<td align=\"center\">13,22<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">15<\/td>\n<td align=\"center\">MS<\/td>\n<td align=\"center\">13,09<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">16<\/td>\n<td align=\"center\">PE<\/td>\n<td align=\"center\">13,06<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">17<\/td>\n<td align=\"center\">GO<\/td>\n<td align=\"center\">12,99<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">18<\/td>\n<td align=\"center\">AL<\/td>\n<td align=\"center\">12,97<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">19<\/td>\n<td align=\"center\">RN<\/td>\n<td align=\"center\">12,84<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">20<\/td>\n<td align=\"center\">RO<\/td>\n<td align=\"center\">12,03<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">21<\/td>\n<td align=\"center\">SP<\/td>\n<td align=\"center\">11,72<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">22<\/td>\n<td align=\"center\">TO<\/td>\n<td align=\"center\">11,70<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">23<\/td>\n<td align=\"center\">SC<\/td>\n<td align=\"center\">11,04<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">24<\/td>\n<td align=\"center\">RS<\/td>\n<td align=\"center\">10,83<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">25<\/td>\n<td align=\"center\">ES<\/td>\n<td align=\"center\">10,79<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">26<\/td>\n<td align=\"center\">PR<\/td>\n<td align=\"center\">10,06<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\">27<\/td>\n<td align=\"center\">DF<\/td>\n<td align=\"center\">8,53<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os munic\u00edpios de Roraima com a maior taxa s\u00e3o Amajari (49,33%), Alto Alegre (46,41%) e Pacaraima (32,37%). Em nota a Secretaria de Sa\u00fade do Estado de Roraima, informou que a Coordenadoria Geral de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (CGAB) realiza o acompanhamento dos \u00edndices de mortalidade materna no estado e tem fortalecido o contato com os munic\u00edpios, o que inclui a realiza\u00e7\u00e3o de oficinas para tratar sobre o tema e discuss\u00e3o de estrat\u00e9gias a serem colocadas em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>De acordo com o N\u00facleo de A\u00e7\u00f5es Program\u00e1ticas de Sa\u00fade da Crian\u00e7a (NAPSC), com base nas informa\u00e7\u00f5es enviadas pelos munic\u00edpios, nos \u00faltimos dois anos, houve um aumento de 12,46% na taxa de mortalidade infantil em Roraima.<\/p>\n<p>Segundo o NAPSC, \u201cesse aumento \u00e9 causado pelo fato de Roraima ser um estado complexo, com situa\u00e7\u00f5es peculiares, dentre elas a fraqueza do pr\u00e9-natal. Al\u00e9m disso, ainda ocorrem muitos \u00f3bitos por causas evit\u00e1veis, como doen\u00e7as infecciosas e parasit\u00e1rias, doen\u00e7as respirat\u00f3rias, dentre outras\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o N\u00facleo enfatizou a necessidade de prioridade na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das mulheres bem como das crian\u00e7as desde o pr\u00e9-natal aos 9 anos de vida, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia, como forma de preven\u00e7\u00e3o dos fatores de risco e diminui\u00e7\u00e3o da morbimortalidade, tendo em vista que 95% dos \u00f3bitos s\u00e3o preven\u00edveis com a\u00e7\u00f5es efetivas e vigil\u00e2ncia dos \u00f3bitos.<\/p>\n<p>De acordo com Eduardo Galv\u00e3o, uma parte da mortalidade infantil est\u00e1 relacionada \u00e0 prematuridade e o restante est\u00e1 relacionada a outras causas de f\u00e1cil solu\u00e7\u00e3o. \u201cA quest\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o desse problema passa por alguns fatores, como por exemplo, a educa\u00e7\u00e3o familiar, a alimenta\u00e7\u00e3o adequada, o saneamento b\u00e1sico e a infraestrutura para rede de atendimento \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico pediatra e coordenador de Pediatria do Santa L\u00facia,\u00a0Alexandre Nikolay, uma das principais causas que levam ao \u00f3bito infantil \u00e9 a falta de vacinas para rec\u00e9m-nascidos. \u201cPode haver desidrata\u00e7\u00e3o, pneumonia e infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o cobertas por vacinas. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, a falta dessa assist\u00eancia m\u00e9dica adequada no per\u00edodo p\u00f3s-natal, nesse per\u00edodo que a crian\u00e7a acabou de nascer, leva a n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de vacinas e dessa forma o pequeno paciente fica suscet\u00edvel a doen\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/widgets\/mapa\/68\"><img decoding=\"async\" title=\"ARTE: BR 61\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/4438\/content_Mapa_Mortalidade.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a outro estado da regi\u00e3o Norte, os tr\u00eas munic\u00edpios com a maior taxa de mortalidade no Amazonas s\u00e3o Japur\u00e1 (49,59%), Canutama (46,88%) e Novo Aripuan\u00e3 (35,71%). Em nota enviada \u00e0 reportagem, o estado informou que vem avan\u00e7ando na redu\u00e7\u00e3o da taxa de mortalidade infantil. Em 2017, este \u00edndice era de 16,4 \u00f3bitos por mil crian\u00e7as nascidas vivas no Amazonas e em 2019 caiu para 15,8, com um grande avan\u00e7o na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade neonatal em que a taxa caiu de 12,4 para 7,34.<\/p>\n<p>\u201cDestaca-se que fatores hist\u00f3ricos, como baixo IDH, geografia e sazonalidade ainda s\u00e3o limitadoras das pol\u00edticas de sa\u00fade no interior do Amazonas, por\u00e9m, a melhoria da cobertura de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica nos \u00faltimos anos vem contribuindo para uma melhor integra\u00e7\u00e3o entre a assist\u00eancia prim\u00e1ria com aten\u00e7\u00e3o especializada e vigil\u00e2ncia\u201d, informou o estado.<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Amazonas disse que v\u00eam apostando em uma s\u00e9rie de capacita\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias para melhorar a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade infantil no interior, entre elas, a implanta\u00e7\u00e3o do Programa Primeira Inf\u00e2ncia Amazonense (PIA), voltada para o desenvolvimento integral da crian\u00e7a por meio de a\u00e7\u00f5es transversais na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia. Al\u00e9m da implanta\u00e7\u00e3o de Unidades de Cuidado Intensivo (UCIs) neonatais nos munic\u00edpios de Parintins, Tabatinga, Coari e Tef\u00e9.<\/p>\n<p>Os estados da Bahia, Sergipe, Acre e Amap\u00e1 n\u00e3o se manifestaram a respeito dos \u00edndices de mortalidade infantil e nem quais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas para conter o avan\u00e7o.<\/p>\n<p>O levantamento do IGMA tamb\u00e9m mostrou que 71% dos munic\u00edpios brasileiros apresentam cobertura do programa Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia acima ou igual a 90%, sendo que nestas cidades, 100% da popula\u00e7\u00e3o possui cobertura. Em contrapartida, ainda existem 10% de munic\u00edpios brasileiros nos quais a abrang\u00eancia \u00e9 menor que 50%. A maioria desses munic\u00edpios encontra-se em S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul, Paran\u00e1, Minas Gerais e Par\u00e1. Vale mencionar que em 163 cidades brasileiras, nenhuma pessoa recebe tal assist\u00eancia.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de leitos por mil habitantes dos munic\u00edpios brasileiros \u00e9 de 1,3. Cerca de 24% das cidades apresentam mais de dois leitos a cada mil habitantes. Por outro lado, 37% das cidades n\u00e3o possuem nenhum leito dispon\u00edvel, ou seja, \u00e9 preciso que a popula\u00e7\u00e3o se desloque para outra cidade para ter acesso. Outro dado do IGMA aponta que os munic\u00edpios brasileiros apresentam, em m\u00e9dia, 15 profissionais da sa\u00fade p\u00fablica para cada mil brasileiros.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0Alexandre Nikolay, a falta de profissionais nos munic\u00edpios do Brasil tem a ver com a car\u00eancia de infraestrutura. \u201cDeveria haver uma estimula\u00e7\u00e3o para os profissionais de sa\u00fade trabalharem no interior, com condi\u00e7\u00f5es de trabalho digno e sal\u00e1rio digno. Com tudo isso acredito que chamaria um profissional de sa\u00fade, seja ele de qualquer n\u00edvel, desde o agente comunit\u00e1rio de sa\u00fade ao m\u00e9dico. J\u00e1 atuei no interior e \u00e9 frustrante, porque voc\u00ea sabe como tratar, sabe como salvar o paciente, mas n\u00e3o tem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para fazer isso.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fonte: Brasil 61<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil 80% da mortalidade infantil est\u00e1 concentrada em 21% dos munic\u00edpios localizados, principalmente, na regi\u00e3o Norte e Nordeste. Os dados foram levantados pelo \u00cdndice de Gest\u00e3o Municipal Aquila (IGMA), ferramenta de big data, a partir do programa Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 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