{"id":7994,"date":"2021-01-29T07:04:46","date_gmt":"2021-01-29T10:04:46","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=7994"},"modified":"2021-01-29T07:04:46","modified_gmt":"2021-01-29T10:04:46","slug":"pandemia-fome-aumenta-no-brasil-na-medida-em-que-caem-as-doacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2021\/01\/29\/pandemia-fome-aumenta-no-brasil-na-medida-em-que-caem-as-doacoes\/","title":{"rendered":"Pandemia: fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus trouxe in\u00fameros desafios que v\u00e3o al\u00e9m do campo da sa\u00fade. Pesquisadores apontam aumento dos casos de transtornos mentais \u2013 como depress\u00e3o e ansiedade \u2013 decorrentes do isolamento social e das incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19. Aulas remotas acentuaram a desigualdade na educa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. E o fechamento de atividades econ\u00f4micas n\u00e3o essenciais levou ao agravamento da crise financeira no Brasil, com estimativa de queda de 4,3% do PIB, segundo o Ipea, al\u00e9m da taxa recorde de 14,2% no desemprego, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>Uma das situa\u00e7\u00f5es mais graves enfrentadas por muitas fam\u00edlias \u00e9 a fome. Uma pesquisa do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Inf\u00e2ncia (UNICEF) mostra que mais de 20,7 milh\u00f5es de brasileiros passaram a se alimentar de forma ainda mais irregular desde o in\u00edcio da pandemia, por falta de dinheiro para comprar comida.<\/p>\n<p>Para tentar compensar a falta de renda das fam\u00edlias brasileiras, o governo federal lan\u00e7ou, em abril de 2020, o Aux\u00edlio Emergencial, com 5 parcelas de R$ 600 e outras quatro de R$ 300 da extens\u00e3o do benef\u00edcio. Os valores socorreram 68 milh\u00f5es de brasileiros, mas foi negado a 35 milh\u00f5es que n\u00e3o atendiam aos crit\u00e9rios do programa. Ao final de 2020, o Aux\u00edlio Emergencial foi cortado.<\/p>\n<p>Com a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa t\u00e3o prec\u00e1ria, diversas institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas se mobilizaram ao longo do ano para levar alimentos \u00e0s fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica. No entanto, as doa\u00e7\u00f5es v\u00eam caindo.<\/p>\n<h2>Banco das Favelas<\/h2>\n<p>A favela de Parais\u00f3polis, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, possui popula\u00e7\u00e3o de 100 mil habitantes \u2013 maior que 94% dos munic\u00edpios brasileiros. Segundo o l\u00edder comunit\u00e1rio da regi\u00e3o, Gilson Rodrigues, a comunidade n\u00e3o consegue atender \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. \u201cA realidade das favelas \u00e9 que as pessoas vivem de maneira aglomerada. Existe uma constante falta de \u00e1gua. O servi\u00e7o do SAMU n\u00e3o vem at\u00e9 locais perif\u00e9ricos. E a situa\u00e7\u00e3o se agrava devido \u00e0 fome e ao desemprego\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Segundo ele, a demanda por alimentos cresceu em Parais\u00f3polis, ao passo que as doa\u00e7\u00f5es diminu\u00edram nos \u00faltimos meses. A Uni\u00e3o dos Moradores e do Com\u00e9rcio conseguia entregar 10 mil marmitas por dia, com as doa\u00e7\u00f5es. Em setembro, o n\u00famero caiu para 5 mil. Agora em janeiro, a organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 consegue entregar 500 marmitas diariamente. Gilson Rodrigues avalia que a queda nas doa\u00e7\u00f5es se deu pela dificuldade financeira provocada pela pandemia.<\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio, o G10, grupo formado pelas dez maiores favelas do Brasil \u2013 Rocinha (RJ), Rio da Pedras (RJ), Higien\u00f3polis (SP), Parais\u00f3polis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF) \u2013, se mobilizou para levar doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas, \u00e1lcool em gel, m\u00e1scaras e cart\u00f5es vale-refei\u00e7\u00e3o para seus moradores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"G10 - Arte: Brasil 61- Fonte: G10favelas.org\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3549\/content_G10-FAVELAS.jpg\" alt=\"Arte - Brasil 61\" \/><\/p>\n<p>O l\u00edder comunit\u00e1rio, e tamb\u00e9m coordenador nacional do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, explica que os alimentos s\u00e3o adquiridos na pr\u00f3pria comunidade, para estimular as vendas do com\u00e9rcio local \u2013 que emprega 21% dos trabalhadores de Parais\u00f3polis. Outra iniciativa para mitigar os impactos econ\u00f4micos \u00e9 o G10 Bank.<\/p>\n<p>\u201cO G10 Bank pretende ser a maior rede de apoio de micro e pequenos neg\u00f3cios das favelas do Brasil, oferecendo cr\u00e9dito, mentoria e desenvolvimento, garantindo que as favelas possam continuar prosperando como estavam em 2019\u201d. Segundo Gilson, o objetivo do G10 Bank \u00e9 oferecer cr\u00e9dito e servi\u00e7os banc\u00e1rios para reverter recursos para a popula\u00e7\u00e3o que mais precisa. Atualmente, 45 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o desbancarizados, sendo a maior parte composta por moradores das favelas.<\/p>\n<p>O G10 tamb\u00e9m criou o \u201cComit\u00ea das Favelas \u2013 Presidentes de Rua\u201d, no qual cada morador volunt\u00e1rio \u00e9 respons\u00e1vel por acompanhar, durante a pandemia, 50 casas da comunidade. O objetivo \u00e9 monitorar e apoiar as fam\u00edlias; chamar o socorro m\u00e9dico, se necess\u00e1rio; distribuir cestas de alimentos e identificar moradores que queiram empreender, para serem auxiliados pelo G10 Bank.<\/p>\n<h2>Povos e comunidades tradicionais<\/h2>\n<p>Os povos tradicionais no Brasil \u2013 ind\u00edgenas, quilombolas e ribeirinhos \u2013 tamb\u00e9m foram afetados pela Covid-19. Para reduzir a fome dessas comunidades, o governo federal distribuiu cerca de 400 mil cestas de alimentos para 222 mil fam\u00edlias dessas localidades. Ao todo foram disponibilizados R$ 45 milh\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Apoio Povos Tradicionais - Arte: Brasil61 - Fonte: MMFDH\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3551\/content_Apoio-a-comunidades-e-povos-tradicionais-brasileiros_%281%29.jpg\" alt=\"Arte - Brasil 61\" \/><\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio Nacional de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, Paulo Roberto, destaca a Medida Provis\u00f3ria <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/145239\">1008\/2020<\/a>, que dar\u00e1 continuidade no atendimento a essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo a pandemia n\u00e3o encerrou, em outubro, o Presidente da Rep\u00fablica editou a MP 1008 que d\u00e1 um recurso extraordin\u00e1rio ao Minist\u00e9rio da Cidadania, para continuar a operar no enfrentamento a essa quest\u00e3o t\u00e3o urgente que \u00e9 a fome. A fome n\u00e3o pode aguardar, n\u00e3o pode esperar a burocracia\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Minist\u00e9rio, outros \u00f3rg\u00e3os participaram da entrega das cestas e da disponibiliza\u00e7\u00e3o dos recursos, como a Companhia Nacional de Abastecimento, Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio e Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares.<\/p>\n<h2>Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais<\/h2>\n<p>Aline Ara\u00fajo Silva mora com o marido e mais quatro filhos, no bairro de Feitosa, em Macei\u00f3\/AL. Ela conta que, durante a pandemia, o marido ficou desempregado e n\u00e3o podia fazer bicos, por conta do isolamento social. As dificuldades foram amenizadas gra\u00e7as ao trabalho da Legi\u00e3o da Boa Vontade (LBV).<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as \u00e0 LBV, n\u00f3s conseguimos passar por isso. Desde o in\u00edcio da pandemia, a LBV vem ajudando com doa\u00e7\u00f5es de cesta b\u00e1sica, cesta verde e o que eles t\u00eam conseguido doar para a gente\u201d, relata.<\/p>\n<p>A LBV possui 82 unidades f\u00edsicas de atendimento, espalhadas por todas as regi\u00f5es do Brasil, sendo Norte e Nordeste as de maior vulnerabilidade socioecon\u00f4mica. Segundo o assessor de comunica\u00e7\u00e3o da LBV em Bras\u00edlia, Jos\u00e9 Gon\u00e7alo, a institui\u00e7\u00e3o vai distribuir mensalmente, enquanto durar a pandemia, cestas de alimentos e kits com material de limpeza e higiene para as fam\u00edlias atendidas. Ele detalha como elas s\u00e3o selecionadas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o fam\u00edlias inseridas em servi\u00e7os e programas j\u00e1 desenvolvidos pela institui\u00e7\u00e3o, em todas as suas unidades; al\u00e9m das que participam de atividades de institui\u00e7\u00f5es parcerias da LBV e cadastradas nos Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social dos Munic\u00edpios (CRAS)\u201d, explica.<\/p>\n<p>Pelo site <a href=\"https:\/\/www.lbv.org\/\">lbv.org<\/a> \u00e9 poss\u00edvel conferir fotos e informa\u00e7\u00f5es sobre os atendimentos da institui\u00e7\u00e3o pelo Brasil e as formas de doar.<\/p>\n<p>Outro trabalho que merece destaque \u00e9 a \u201c<a href=\"https:\/\/www.acaodacidadania.org.br\/acao-contra-corona\">A\u00e7\u00e3o contra o Coronav\u00edrus<\/a>\u201d, da ONG A\u00e7\u00e3o da Cidadania. Durante a pandemia, em 2020, a institui\u00e7\u00e3o conseguiu arrecadar 50 milh\u00f5es de reais, somando doa\u00e7\u00f5es de recursos e alimentos. Contudo, o diretor-executivo da ONG A\u00e7\u00e3o da Cidadania, Kiko Afonso, avalia que o n\u00famero ainda \u00e9 pequeno perante \u00e0 dificuldade alimentar dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos apoiar tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas, com um sustento de uma cesta b\u00e1sica, que d\u00e1 mais ou menos para um m\u00eas de alimenta\u00e7\u00e3o. Ou seja, \u00e9 muito pouco, comparado com a necessidade que se tem, quando se olha os dados do IBGE, de 2018 \u2013 dois anos antes da Covid \u2013 que mostra que temos mais de 80 milh\u00f5es de brasileiros com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O diretor-executivo afirma que esse tipo de a\u00e7\u00e3o precisa ser cont\u00ednua, no entanto, as doa\u00e7\u00f5es v\u00eam caindo.<\/p>\n<p>\u201cAssim que o drama passa, a trag\u00e9dia passa e a m\u00eddia n\u00e3o est\u00e1 mais olhando esse problema de forma ostensiva, as pessoas come\u00e7am a diminuir a doa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da quest\u00e3o cultural, de que as pessoas n\u00e3o t\u00eam o h\u00e1bito de doa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, ainda tem o problema da crise. As pessoas est\u00e3o sem dinheiro, as empresas est\u00e3o sem dinheiro\u201d. Ele afirma que as pessoas em necessidade n\u00e3o podem esperar para receber apoio para comer; elas precisam comer agora.<\/p>\n<p>Kiko Afonso ainda ressalta que, com o fim do Aux\u00edlio Emergencial, as doa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o ainda mais necess\u00e1rias em 2021. Para doar para a ONG A\u00e7\u00e3o Cidadania, acesse o site: <a href=\"https:\/\/www.acaodacidadania.org.br\/acao-contra-corona\">acaodacidadania.org.br<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Brasil 61<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus trouxe in\u00fameros desafios que v\u00e3o al\u00e9m do campo da sa\u00fade. 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