{"id":5162,"date":"2020-08-03T10:53:14","date_gmt":"2020-08-03T13:53:14","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=5162"},"modified":"2020-08-03T10:53:14","modified_gmt":"2020-08-03T13:53:14","slug":"subfinanciamento-do-sus-pressiona-municipios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2020\/08\/03\/subfinanciamento-do-sus-pressiona-municipios\/","title":{"rendered":"Subfinanciamento do SUS pressiona munic\u00edpios"},"content":{"rendered":"<p>Os repasses federais para a Sa\u00fade em tempos de pandemia evidenciaram ainda mais os problemas de subfinanciamento no setor e a necessidade do apoio da Uni\u00e3o. Se por um lado o Brasil foi revolucion\u00e1rio ao criar o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), espalhando por todo o pa\u00eds a garantia de atendimento m\u00e9dico \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, por outro, se viu em problemas para sustentar toda essa rede. O colapso provocado no sistema com a chegada do novo coronav\u00edrus j\u00e1 vinha sendo apontado h\u00e1 anos por organiza\u00e7\u00f5es e especialistas, como um estudo da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) em parceria com Harvard, realizado em 2019.<\/p>\n<p>O levantamento apontou que os gastos no SUS recuaram nos \u00faltimos 30 anos, afetando principalmente os munic\u00edpios menores. Adriano Massuda, m\u00e9dico sanitarista, professor na UFPR e um dos respons\u00e1veis pela pesquisa, explica que foi feita uma an\u00e1lise do sistema, desde sua implanta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de proje\u00e7\u00f5es para 2030 com base nos n\u00edveis de financiamento federal.<\/p>\n<p>Segundo Adriano, na an\u00e1lise hist\u00f3rica, a implanta\u00e7\u00e3o do SUS foi extremamente importante para expandir os servi\u00e7os de sa\u00fade no pa\u00eds. \u201cMuitos munic\u00edpios que na d\u00e9cada de 1990 n\u00e3o tinham nenhum tipo de unidade essencial passaram a ter e o financiamento federal foi importante para isso, bem como para a cria\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da fam\u00edlia\u2019, explica. \u201cIsso ampliou a cobertura vacinal, de pr\u00e9-natal, enfim, gerou um impacto bastante significativo na mortalidade infantil, por exemplo. O Brasil foi um dos pa\u00edses que conseguiu a maior taxa de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil entre 1990 e 2015. E muito disso se deve a implanta\u00e7\u00e3o do SUS.\u201d<\/p>\n<p>A an\u00e1lise para o futuro, no entanto, n\u00e3o \u00e9 promissora. Apesar dos avan\u00e7os, o sistema de sa\u00fade manteve fragilidades estruturais, entre eles o subfinanciamento p\u00fablico. O m\u00e9dico explica que a maior parte do gasto com sa\u00fade no Brasil \u00e9 dirigido ao setor privado, que se destina a n\u00e3o mais que 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>\u201cA menor parte do gasto, em torno de 46%, se dirige ao gasto p\u00fablico e isso cobre toda a popula\u00e7\u00e3o, da vacina ao transplante\u201d, destaca Adriano. \u201cO Brasil tem n\u00edvel de gastos compar\u00e1vel com outros pa\u00edses industrializados, 9% do PIB. O problema \u00e9 como se d\u00e1 esse gasto. O n\u00edvel de gasto \u00e9 muito desproporcional e explica esse subfinanciamento hist\u00f3rico p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/2609\/content_Prancheta_1-100.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2>Congelamento<\/h2>\n<p>Em resumo, a expans\u00e3o que ocorreu desde a d\u00e9cada de 1990 em todo o sistema de sa\u00fade que atende \u00e0 popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi sustentada por um aumento de aporte de recursos federais. E piorou em 2016 com a Emenda Constitucional n\u00ba 95, que instituiu um novo regime fiscal, determinando que as despesas prim\u00e1rias teriam como limite a despesa executada no ano anterior, corrigida apenas pela infla\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, a medida congelou as despesas prim\u00e1rias por duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cAnalisando os cen\u00e1rios futuros, o que a gente observa \u00e9 que a simples manuten\u00e7\u00e3o do recurso, como estava em 2016, corrigido s\u00f3 pela infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter os servi\u00e7os. A tend\u00eancia \u00e9 haver uma redu\u00e7\u00e3o de cobertura da sa\u00fade da fam\u00edlia, o que vai impactar na cobertura vacinal, de pr\u00e9-natal, afetando, principalmente, os munic\u00edpios mais pobres, os que s\u00e3o mais dependentes de receita federal\u201d, ressalta Adriano.<\/p>\n<p>De 2016 para c\u00e1 o or\u00e7amento para a Sa\u00fade tem diminu\u00eddo cada vez mais. Segundo o Conselho Nacional de Sa\u00fade (CNS), somente em 2019, a perda de investimentos na \u00e1rea representou R$ 20 bilh\u00f5es. Em 2017, quando a emenda passou a vigorar, os investimentos em servi\u00e7os p\u00fablicos de Sa\u00fade representavam 15,77% da arrecada\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o. J\u00e1 no ano passado, os recursos destinados \u00e0 \u00e1rea representaram 13,54%.<\/p>\n<p>Se o governo aplicasse o mesmo patamar que aplicou em 2017 (15% da receita corrente l\u00edquida de cada ano), a Sa\u00fade teria um or\u00e7amento de cerca de R$ 143 bilh\u00f5es, e n\u00e3o os R$ 122,6 bilh\u00f5es aplicados. A expectativa de perdas com o congelamento de 20 anos no setor, segundo a CNS, pode ultrapassar os R$ 400 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/2610\/content_Prancheta_2-100.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2>Sobrou para os munic\u00edpios<\/h2>\n<p>Eduardo Stranz, consultor da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios (CNM), explica que o sistema de financiamento da sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 tripartite, ou seja, tem de ter recursos das tr\u00eas esferas do governo. A Emenda Constitucional n\u00ba 29, aprovada no final do ano 2000, definiu que Uni\u00e3o corrigiria anualmente o or\u00e7amento federal destinado \u00e0 sa\u00fade pela varia\u00e7\u00e3o nominal do Produto Interno Bruto (PIB), os munic\u00edpios deveriam reservar 15% da arrecada\u00e7\u00e3o para esse fim e os estados, pelo menos, 12% das suas receitas l\u00edquidas. A EC 95, no entanto, fez com que a Uni\u00e3o pagasse apenas o or\u00e7amento do ano anterior acrescido da infla\u00e7\u00e3o, o que gerou o grave subfinanciamento de todo o sistema.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 menos recursos por parte da Uni\u00e3o no sistema, menos recursos dos estados, que est\u00e3o todos quebrados, e os munic\u00edpios que deveriam gastar 15%, gastam em m\u00e9dia 22%. Tem munic\u00edpio que gasta 30% ou 35% de suas receitas em sa\u00fade. Quem deveria financiar grande parte, que \u00e9 a Uni\u00e3o, fica s\u00f3 coordenando e colocando cada vez menos dinheiro. E com a pandemia isso ficou ainda mais evidente\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/noticias\/cns-aponta-para-dificuldades-no-financiamento-da-atencao-basica-em-saude-bras200888\">CNS aponta para dificuldades no financiamento da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica em Sa\u00fade<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/noticias\/saude-cria-forca-tarefa-para-aprimorar-aquisicao-e-distribuicao-de-insumos-bras200650\">Sa\u00fade cria for\u00e7a-tarefa para aprimorar aquisi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de insumos<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/noticias\/ministerio-da-saude-autoriza-repasse-de-r-13-8-bi-para-reforco-do-sus-bras200701\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade autoriza repasse de R$ 13,8 bi para refor\u00e7o do SUS<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Tulio Carneiro, Secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Concei\u00e7\u00e3o do Coit\u00e9, na Bahia, lembra que al\u00e9m da emenda constitucional que congelou o repasse por parte da Uni\u00e3o se soma a outros problemas nos munic\u00edpios, como a tabela SUS, que n\u00e3o sofre reajuste h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 anos n\u00e3o temos reajuste da Tabela SUS, no entanto, sal\u00e1rios, materiais, tudo tem aumentado de pre\u00e7o constantemente. Nesse momento da pandemia est\u00e1 mais grave ainda por conta da escassez de EPIs\u201d, relata o secret\u00e1rio. \u201cOs problemas s\u00e3o v\u00e1rios. Por exemplo, aqui n\u00f3s temos 15 equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Para o custeio de uma equipe se transfere, em m\u00e9dia, R$ 13 mil. Apenas isso para pagar m\u00e9dico, enfermeiro, t\u00e9cnico de enfermagem, material, pessoal de limpeza, medicamentos. N\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. O valor que recebemos \u00e9 \u00ednfimo frente ao valor que temos de completar. As maiores despesas ficam sempre com o munic\u00edpio, que no nosso caso, reserva, pelo menos, 18% do or\u00e7amento para Sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa feita pela Universidade Federal do Paran\u00e1 ligou o alerta no ano passado. E isso sem contar com a pandemia que viria. O estudo fez um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es para que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique ainda mais grave. Entre elas estavam o fortalecimento do SUS como condi\u00e7\u00e3o fundamental para a melhoria da sa\u00fade como um todo no pa\u00eds; maior aporte de recursos para a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica; uma melhor integra\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os, desde a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica at\u00e9 o servi\u00e7o hospitalar; e a defini\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o tecnol\u00f3gico definido nas ofertas de servi\u00e7os do SUS. E agora que a pandemia desnudou ainda mais os problemas do subfinanciamento, o montante de recursos federais tamb\u00e9m precisar\u00e1 ser revisto.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Brasil 61<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os repasses federais para a Sa\u00fade em tempos de pandemia evidenciaram ainda mais os problemas de subfinanciamento no setor e a necessidade do apoio da Uni\u00e3o. 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