{"id":4526,"date":"2020-06-01T11:37:53","date_gmt":"2020-06-01T14:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=4526"},"modified":"2020-06-01T11:37:53","modified_gmt":"2020-06-01T14:37:53","slug":"bolsonaro-nao-esta-controlando-a-si-mesmo-nem-o-executivo-diz-filosofo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2020\/06\/01\/bolsonaro-nao-esta-controlando-a-si-mesmo-nem-o-executivo-diz-filosofo\/","title":{"rendered":"Bolsonaro &#8216;n\u00e3o est\u00e1 controlando a si mesmo nem o Executivo&#8217;, diz fil\u00f3sofo"},"content":{"rendered":"<p>O\u00a0<strong>fil\u00f3sofo Roberto Romano<\/strong>, 74 anos, professor de \u00e9tica e pol\u00edtica da Universidade Estadual de Campinas (<strong>Unicamp<\/strong>), afirma que os recentes<strong>\u00a0arroubos autorit\u00e1rios\u00a0<\/strong>do presidente Jair\u00a0<strong>Bolsonaro\u00a0<\/strong>sinalizam que ele \u201cn\u00e3o est\u00e1 controlando a si mesmo nem a m\u00e1quina do Executivo\u201d, enquanto o Estado brasileiro amarga uma fragilidade jamais vista.<\/p>\n<p>O docente, que, antes mesmo da posse do atual governo, j\u00e1 previa tempos de \u201cmuita tens\u00e3o entre os Poderes e setores da sociedade\u201d com Bolsonaro na presid\u00eancia, frisa que cada vez que um governante se apresenta como fonte da<strong>\u00a0lei<\/strong>, da for\u00e7a e da\u00a0<strong>ordem econ\u00f4mica<\/strong>, ele fragiliza ainda mais as\u00a0<strong>institui\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>Roberto Romano, que tamb\u00e9m havia previsto que Sergio\u00a0<strong>Moro<\/strong>\u00a0e Bolsonaro poderiam se tornar\u00a0<strong>advers\u00e1rios<\/strong>, agora vislumbra que o presidente sair\u00e1 bem menor da crise do novo coronav\u00edrus, com preju\u00edzos para seu projeto de reelei\u00e7\u00e3o. Segundo o docente, o desrespeito do presidente \u00e0s normas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u00a0<strong>(OMS)<\/strong>\u00a0e o menosprezo ao potencial devastador da covid-19 ser\u00e3o fortemente cobrados, dentro e fora do pa\u00eds. A seguir, os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Em novembro de 2018, logo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair olsonaro, o senhor fez algumas previs\u00f5es sobre o futuro residente, em entrevista ao orreio. Disse que se ele governasse apenas para seus seguidores, e n\u00e3o para todos os brasileiros, teria preju\u00edzos pol\u00edticos, como o solamento. Isso se confirmou?<\/strong><br \/>\nEu acho que sim, porque, veja, n\u00e3o era apenas uma quest\u00e3o de leitura do que viria, mas uma leitura do passado. Quem acompanhou a vida pol\u00edtica do Jair Bolsonaro na C\u00e2mara dos Deputados e desde o per\u00edodo que ele pertencia ao Ex\u00e9rcito, nota que ele tem tra\u00e7os muito graves daquilo que o Teodoro Adorno chamaria de personalidade autorit\u00e1ria. Ele nunca se deu ao trabalho de ter um trato parlamentar no sentido mais cl\u00e1ssico da palavra, de agregar, de votar, de discutir. Sempre foi perempt\u00f3rio, passando palavras de ordem, n\u00e3o aceitando o contradit\u00f3rio, o que \u00e9 complicad\u00edssimo na vida parlamentar. E, quando foi eleito, certamente aquele epis\u00f3dio do atentado contra ele criou uma expectativa muito grande, e isso dava para notar naquele momento, de um certo messianismo. Isso foi exasperado pelos setores chamados evang\u00e9licos, que o apoiam, e que, inclusive, fizeram trocadilho com seu nome, o Messias, e tudo mais. Somado a um tipo de personalidade que n\u00e3o pergunta, n\u00e3o dialoga, n\u00e3o discute e n\u00e3o prop\u00f5e, al\u00e9m do fervor religioso, s\u00f3 poderia ter um governo de cunho autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O presidente, cada vez mais solado politicamente, est\u00e1 oncedendo cargos importantes ao Centr\u00e3o em troca de apoio no Congresso, o chamado toma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1, que ele sempre criticou. Por que ele chegou a esse ponto?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que piorou muito: no tempo do J\u00e2nio Quadros,\u00a0 voc\u00ea tinha partidos fortes, como o PSD e o PTB, que haviam sido organizados por Get\u00falio Vargas e tinham uma estrutura muito forte, vertical, que atendiam a determinados setores de classe. O PSD atendia \u00e0 classe m\u00e9dia alta; e o PTB aos interesses dos oper\u00e1rios. Esses partidos tinham como inimigo a UDN, que era um partido forte tamb\u00e9m, que reunia delegados liberais e, ao mesmo tempo, recursos econ\u00f4micos bastante elevados. Ent\u00e3o, havia partidos pol\u00edticos. No caso do Fernando Collor de Mello, ainda havia partidos pol\u00edticos. O pa\u00eds tinha acabado de sair de um regime ditatorial, o MDB estava coeso ainda, n\u00e3o tinha perdido a ess\u00eancia de partido de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura; e a Arena tinha se transformado no PFL. Hoje, os partidos se dissolveram de tal modo que voc\u00ea n\u00e3o tem mais nenhum setor do Congresso que re\u00fana pol\u00edticos capazes de propor um projeto e um programa para o Brasil alternativo ao do Executivo. E a\u00ed o problema \u00e9 muito grave porque voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais possibilidade de di\u00e1logo. Se o presidente n\u00e3o tem di\u00e1logo com o MDB, se di\u00e1logo com a oposi\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o tem, pra onde ele vai se virar? Pequenos partidos que se formaram nos \u00faltimos tempos, como o Novo, romperam com ele. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o que lhe coube foi voltar para aquele clube em que ele trabalhava. Ele viveu sempre dentro do Centr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O presidente est\u00e1 olhendo o que plantou?<\/strong><br \/>\nEu acho que ele est\u00e1 pagando um pre\u00e7o alt\u00edssimo. Fora aqueles 25% que s\u00e3o seguidores incondicionais dele, est\u00e1 havendo uma desidrata\u00e7\u00e3o do seu eleitorado justamente por causa desse tipo de coisa. Em primeiro lugar, ele comprou uma estrela de primeira grandeza do moralismo nacional, o Sergio Moro. Ele era, digamos assim, um salvo conduto para vastos setores da classe m\u00e9dia brasileira. Quem acompanhou a vida de Moro sabia que ele n\u00e3o estava l\u00e1 pelos belos olhos do Bolsonaro.<br \/>\n<strong><br \/>\nNa entrevista de 2018, o senhor considerou \u201cum golpe de mestre\u201d o convite para Moro chefiar o inist\u00e9rio da Justi\u00e7a, mas, ao mesmo tempo, o senhor anteviu que o ex-juiz poderia se tornar um advers\u00e1rio do presidente, em az\u00e3o do prest\u00edgio adquirido<br \/>\ncom a Lava-Jato.<\/strong><br \/>\nO presidente perdeu esse apoio grande. Significa que aquela folha de parreira de moralidade est\u00e1 rachada no meio: uma parte ficou com o Sergio Moro; e a outra, com os generais, que ainda mant\u00eam um certo padr\u00e3o de decoro. E a\u00ed o presidente caiu num desespero absoluto. Eu acho que essas gritarias que ele promove, esses \u201cbastas\u201d, \u201cchegou ao limite\u201d, esses ataques frequentes, o que vai ocorrer hoje (poss\u00edveis manifesta\u00e7\u00f5es), isso a\u00ed \u00e9 prova de que ele n\u00e3o est\u00e1 controlando a si mesmo nem controlando a m\u00e1quina do Executivo.<\/p>\n<p><strong>O senhor tamb\u00e9m previu empos de \u201cmuita tens\u00e3o entre os Poderes e setores da sociedade\u201d com Bolsonaro na presid\u00eancia, m raz\u00e3o de seu perfil autorit\u00e1rio. Mais uma confirma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nInfelizmente, com toda tristeza do mundo, sim. Eu preferia que ele fosse um governante conservador, mesmo reacion\u00e1rio, mas que n\u00e3o entrasse, que n\u00e3o enveredasse por esse caminho. O problema n\u00e3o \u00e9 o Bolsonaro; o problema n\u00e3o \u00e9 o ministro Alexandre (de Moraes, do STF). Isso \u00e9 um ponto em que eu divirjo muito dos meus colegas e dos seus colegas jornalistas. Quando eles terminam uma exposi\u00e7\u00e3o de doutorado, eles dizem \u201cas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o funcionando normalmente\u201d. As institui\u00e7\u00f5es brasileiras nunca funcionaram normalmente. O imperador, para come\u00e7ar, j\u00e1 deu um golpe, j\u00e1 fechou a C\u00e2mara. Essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito antiga no Brasil, voc\u00ea n\u00e3o ter institui\u00e7\u00f5es que se tornem s\u00f3lidas, maduras. Ao contr\u00e1rio do que acontece nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, com todo o pandem\u00f4nio criado pelo efeito Trump, voc\u00ea ainda tem as institui\u00e7\u00f5es funcionando permanentemente e de modo correto. Assim tamb\u00e9m ocorre na Fran\u00e7a, na Alemanha, que passou pelo nazismo. No Brasil, isso nunca houve. Cada vez que um governante tenta a aventura de se transformar na grande fonte da lei, da for\u00e7a e de toda a ordem econ\u00f4mica, etc., ele fragiliza ainda mais as institui\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o eu acho que, infelizmente, n\u00f3s caminhamos para uma fragilidade enorme, e n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de usar um cabo e um jipe, n\u00e3o; \u00e9 um desgaste interno. Voc\u00ea v\u00ea uma esp\u00e9cie de implos\u00e3o do Estado brasileiro. E nessa implos\u00e3o n\u00e3o se v\u00ea muitas sa\u00eddas.<\/p>\n<p><strong>Um dos componentes da crise \u00e9 a insist\u00eancia do presidente de, ob o argumento de preservar a economia, acabar com o solamento social adotado pelos estados para frear a pandemia. E muitos seguidores do presidente t\u00eam sa\u00eddo \u00e0s ruas, se expondo ao coronav\u00edrus, enquanto as ortes por covid-19 crescem xponencialmente no pa\u00eds.<br \/>\nO que pensa disso?<\/strong><br \/>\nOs promotores p\u00fablicos j\u00e1 est\u00e3o advertindo o governo paulista de que \u00e9 preciso tomar provid\u00eancias contra os saques, contra as rebeli\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 palavra de Cassandra. Os dirigentes militares deveriam estar atent\u00edssimos a isso. O presidente incentiva os seus seguidores a assumirem uma atitude altamente perigosa contra a imprensa, contra as outras institui\u00e7\u00f5es; ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de team leader, ele puxa o coro, ele comanda e puxa o coro. Olha, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos essa pandemia, n\u00f3s estar\u00edamos em um pandem\u00f4nio. Imagine todos aqueles que s\u00e3o ofendidos, furiosos com os adeptos dele andando pelas ruas. Alguns generais aposentados que o apoiam falam que \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 uma guerra civil. Eu n\u00e3o acho que isso seja poss\u00edvel t\u00e3o imediatamente, mas se continua esse tipo de coisa, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel. O Brasil n\u00e3o \u00e9 jejuno em guerra civil. Na hist\u00f3ria do Brasil, de 1500 at\u00e9 hoje, voc\u00ea v\u00ea que, por exemplo, o s\u00e9culo XIX foi f\u00e9rtil em rebeli\u00f5es, em insurrei\u00e7\u00f5es, justamente aplacadas pelo ex\u00e9rcito nacional.<\/p>\n<p><strong>Em 1999, o deputado air Bolsonaro disse que, para o Brasil ter jeito, precisaria haver uma guerra civil que matasse 0 mil pessoas. Na reuni\u00e3o inisterial de 22 de abril, le afirmou que est\u00e1 armando a popula\u00e7\u00e3o. Seria uma deia fixa do presidente?\u00a0<\/strong><br \/>\nPrimeiro, esse tipo de coment\u00e1rio sobre o fato de o Brasil n\u00e3o ter tido uma guerra e que, portanto, precisaria ter uma revolu\u00e7\u00e3o na qual morresse muita gente para regenerar, isso \u00e9 uma conversa da extrema-direita que vem do s\u00e9culo 19. Nos anos 1960, essa ideia era bastante veiculada na sociedade e nos \u00f3rg\u00e3os repressivos do Estado ditatorial. Ent\u00e3o, se voc\u00ea fizer um levantamento, ver\u00e1 que isso j\u00e1 \u00e9 definido como ideologia sub rept\u00edcia. E \u00e9 falso, porque o sangue aqui no Brasil j\u00e1 jorrou para tudo que \u00e9 lado. A hist\u00f3ria brasileira n\u00e3o \u00e9 de um povoamento pac\u00edfico; pelo contr\u00e1rio, os bandeirantes eram extremamente armados ,violentos. Ao longo do per\u00edodo colonial, houve levantamentos, guerras contra os holandeses, contra os franceses; houve guerra com os \u00edndios. Houve, no s\u00e9culo XIX, como eu dizia, v\u00e1rias e v\u00e1rias insurrei\u00e7\u00f5es, que buscaram a separa\u00e7\u00e3o do Estado e outros objetivos.<\/p>\n<p><strong>A democracia brasileira est\u00e1 em risco?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 um ponto que eu gosto sempre de sublinhar. Veja, a democracia \u00e9 um regime que, desde o seu nascimento, na Gr\u00e9cia, est\u00e1 sempre em risco. Porque n\u00e3o existe nenhum regime pol\u00edtico est\u00e1vel. Isso \u00e9 um plano, um paradigma, uma procura. Como a sociedade humana \u00e9 uma sociedade inquieta, cheia de interesses contradit\u00f3rios, violenta, muitas vezes, cheia de preconceitos, desde a Gr\u00e9cia voc\u00ea tinha uma instabilidade tremenda. Vem da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o dos fil\u00f3sofos, dos puristas gregos de fazer propostas de constitui\u00e7\u00f5es para a Gr\u00e9cia que, digamos, remediassem os problemas da democracia. E s\u00e3o muitos os problemas da democracia grega. Ent\u00e3o, a democracia sempre estar\u00e1 em xeque, em perigo. A diferen\u00e7a \u00e9 que quando voc\u00ea percebe que ela est\u00e1 em perigo, voc\u00ea faz uma esp\u00e9cie de radiografia para ver em que pontos ela est\u00e1 piorando, em que ponto ela est\u00e1 sendo doentia e n\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>O presidente Bolsonaro sair\u00e1 maior ou menor da pandemia?<\/strong><br \/>\nEle vai sair menor. Nem ele nem seus assessores est\u00e3o contando com isso, mas acontece que, por menor que seja, o papel do Brasil na cena internacional, hoje o pa\u00eds \u00e9 visto com olhos muito cr\u00edticos por todos os Estados do mundo. Voc\u00ea vai ter problemas de ordem de autoridade interna e externa. Ilude-se a pessoa que imagina que, chegando ao \u00e1pice do Estado nacional, n\u00e3o ter\u00e1 de enfrentar outros Estados e o ju\u00edzo de outros Estados. E a performance de Bolsonaro tem sido tremendamente pobre. Nos primeiros momentos dessa pandemia, ele se limitou a imitar Donald Trump, e de uma forma caricatural. E Donald Trump n\u00e3o \u00e9 propriamente um exemplo de grande estadista, de grande amigo da ci\u00eancia. Ele pr\u00f3prio est\u00e1 tendo problemas para se explicar sobre o avan\u00e7o da pandemia nos Estados Unidos. N\u00f3s n\u00e3o sabemos, a\u00ed eu rezo para Deus para que o coronav\u00edrus n\u00e3o seja t\u00e3o mortal, mas n\u00f3s n\u00e3o sabemos quantos mil morrer\u00e3o no Brasil. E, certamente, as frases do presidente, como \u201cisso \u00e9 uma gripezinha\u201d , ser\u00e3o cobradas nacional e internacionalmente. Eu vejo, tamb\u00e9m, que naquela base de 25% que o apoiam tem tido muita desidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Bolsonaro tem contra si mais de 30 pedidos de impeachment rotocolados na C\u00e2mara. Ele ompletar\u00e1 o mandato?<\/strong><br \/>\nEu diria para voc\u00ea que n\u00e3o sei o que vai acontecer com todas as institui\u00e7\u00f5es brasileiras daqui a 30 dias. Olha, eu tenho 74 anos, passei pela ditadura, passei pelos regimes supostamente civis, enfim, vi muita coisa e conhe\u00e7o muita coisa da hist\u00f3ria do Brasil. Eu digo a voc\u00ea que nunca vi maior fragilidade geral do Estado brasileiro como estou vendo neste momento. Se ele termina o mandato ou n\u00e3o; se o STF consegue impor a sua autoridade ou n\u00e3o; se a C\u00e2mara dos Deputados e o Senado conseguem encontrar um modus operandi que tenha, pelo menos, a apar\u00eancia de democracia ou n\u00e3o; se o Ex\u00e9rcito vai atender ao apelo da legalidade e da Constitui\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o; tudo isso para mim \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Respostas muito r\u00e1pidas que podem ser dadas, a meu ver, demandam muita reflex\u00e3o. Volto \u00e0quela quest\u00e3o de que as institui\u00e7\u00f5es estariam funcionando normalmente. Elas n\u00e3o est\u00e3o. Neste momento, est\u00e3o com a sua fragilidade agravada, inclusive o Executivo.<\/p>\n<p><strong>Fonte: em.com.br<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0fil\u00f3sofo Roberto Romano, 74 anos, professor de \u00e9tica e pol\u00edtica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que os recentes\u00a0arroubos autorit\u00e1rios\u00a0do presidente Jair\u00a0Bolsonaro\u00a0sinalizam que ele \u201cn\u00e3o est\u00e1 controlando a si mesmo nem a m\u00e1quina do Executivo\u201d, enquanto o Estado brasileiro amarga uma fragilidade jamais vista. 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