{"id":2788,"date":"2020-01-14T08:20:05","date_gmt":"2020-01-14T11:20:05","guid":{"rendered":"http:\/\/radioborborema.com.br\/?p=2788"},"modified":"2020-01-14T08:20:05","modified_gmt":"2020-01-14T11:20:05","slug":"primeiro-ano-de-governo-teve-48-medidas-provisorias-editadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2020\/01\/14\/primeiro-ano-de-governo-teve-48-medidas-provisorias-editadas\/","title":{"rendered":"Primeiro ano de governo teve 48 medidas provis\u00f3rias editadas"},"content":{"rendered":"<p>No primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro foram editadas 48 medidas provis\u00f3rias, das quais 24 j\u00e1 tiveram a an\u00e1lise encerrada pelo Congresso. Dessas, 11 medidas n\u00e3o viraram leis porque perderam o prazo para a vota\u00e7\u00e3o ou foram rejeitadas pelos deputados e senadores. Para 2020, 24 delas ainda est\u00e3o com an\u00e1lise pendente pelos parlamentares.<\/p>\n<p>Entre as medidas aprovadas em 2019 est\u00e1 a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/136531\" target=\"_self\">MP 881\/2019<\/a>, conhecida como MP da Liberdade Econ\u00f4mica, transformada na <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/140153\" target=\"_self\">Lei 13.874, de 2019<\/a>. O texto traz medidas de desburocratiza\u00e7\u00e3o e simplifica\u00e7\u00e3o de processos para empresas e empreendedores. A medida provis\u00f3ria alterou regras de direito civil, administrativo, empresarial e trabalhista, para, segundo o governo, reduzir a burocracia e trazer mais seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>\u2014 Desde a elei\u00e7\u00e3o do presidente e as mudan\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional, com di\u00e1logo, realizamos ao longo do ano um cuidadoso trabalho de articula\u00e7\u00e3o. Estamos conseguindo superar obst\u00e1culos e convergir em torno da agenda que est\u00e1 tirando o Brasil do atoleiro econ\u00f4mico \u2014 disse o l\u00edder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), ao fazer um balan\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o entre o Pal\u00e1cio do Planalto e o Legislativo.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m citou como avan\u00e7o para a agenda econ\u00f4mica a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2019\/Mpv\/mpv871.htm\">MP 871\/2019<\/a>, que criou regras para coibir fraudes nos benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Transformada na <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2019-2022\/2019\/Lei\/L13846.htm\" target=\"_self\">Lei 13.846, de 2019<\/a>, a MP cria um programa de revis\u00e3o de benef\u00edcios do INSS, com b\u00f4nus para os peritos que realizarem mais per\u00edcias m\u00e9dicas; exig\u00eancia de cadastro do trabalhador rural feito pelo governo, e n\u00e3o mais pelos sindicatos; e pagamento de aux\u00edlio-reclus\u00e3o apenas em casos de pena em regime fechado, proibindo o pagamento aos presos em regime semiaberto.<\/p>\n<h3><b>FGTS<\/b><\/h3>\n<p>J\u00e1 a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/137834\" target=\"_self\">MP\u00a0889\/2019<\/a>, transformada na <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/lei-n-13.932-de-11-de-dezembro-de-2019-232942355\" target=\"_self\">Lei 13.932 de 2019<\/a>, criou novas modalidades de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). O texto instituiu o saque-anivers\u00e1rio, que pode ser feito a cada ano, independentemente de eventos como demiss\u00e3o ou financiamento da casa pr\u00f3pria. A norma tamb\u00e9m liberou o saque imediato de at\u00e9 R$ 998 (um sal\u00e1rio m\u00ednimo) do FGTS. Inicialmente, o valor estabelecido pela medida provis\u00f3ria (MP) era de R$ 500. O aumento no valor foi feito pelos parlamentares durante a an\u00e1lise do texto pelo Congresso.<\/p>\n<p>Outro texto editado em 2019 e j\u00e1 aprovado pelo Senado foi a <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/137323\">Medida Provis\u00f3ria 885\/2019<\/a>, que facilitou o repasse de recursos decorrentes da venda de bens apreendidos do tr\u00e1fico de drogas aos estados e ao Distrito Federal. De acordo com o texto, transformado na <a href=\"https:\/\/legis.senado.leg.br\/norma\/31591223\">Lei 13.886, de 2019<\/a>, o repasse aos entes federados n\u00e3o depender\u00e1 mais de conv\u00eanio e poder\u00e1 ser feito de forma direta, com transfer\u00eancia volunt\u00e1ria.<\/p>\n<h3><b>Prazo<\/b><\/h3>\n<p>As MPs s\u00e3o normas com for\u00e7a de lei editadas pelo presidente da Rep\u00fablica em situa\u00e7\u00f5es de relev\u00e2ncia e urg\u00eancia. Apesar de produzir efeitos jur\u00eddicos imediatos, elas precisam da aprecia\u00e7\u00e3o das duas Casas do Congresso Nacional \u2014 C\u00e2mara e Senado \u2014 para se converter definitivamente em lei ordin\u00e1ria. Quando isso n\u00e3o ocorre dentro do prazo de vig\u00eancia (at\u00e9 120 dias), a MP perde a validade. Em 2019, 11 medidas perderam a vig\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com a <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/136549\">MP 882\/2019<\/a>, que ampliava a atua\u00e7\u00e3o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) nos processos de desestatiza\u00e7\u00e3o e alterava o Programa de Parcerias de Investimento (PPI). Tamb\u00e9m perdeu efic\u00e1cia a <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/136471\">MP 879\/2019<\/a>, que autorizava a Uni\u00e3o a pagar at\u00e9 R$ 3,5 bilh\u00f5es \u00e0 Eletrobras por despesas da empresa com compra de combust\u00edveis. A medida chegou a ser aprovada pela comiss\u00e3o mista, mas foi rejeitada pela C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Outra MP que n\u00e3o foi votada no prazo e perdeu a vig\u00eancia foi a <a href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/137871\" target=\"_self\">MP 891\/2019<\/a>,\u00a0que inclu\u00eda em lei a antecipa\u00e7\u00e3o de pagamento de metade do 13\u00ba sal\u00e1rio de benef\u00edcios do INSS juntamente com o pagamento de agosto de cada ano. Essa antecipa\u00e7\u00e3o vinha sendo feita at\u00e9 ent\u00e3o por meio de decreto do Poder Executivo. A\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/137872\" target=\"_self\">MP\u00a0892\/2019<\/a>, que dispensava empresas de publicar demonstra\u00e7\u00f5es financeiras em jornais impressos, perdeu a validade ap\u00f3s ser rejeitada na comiss\u00e3o mista que a analisou.<\/p>\n<h3><b>Cr\u00e9ditos<\/b><\/h3>\n<p>Quando uma medida perde a vig\u00eancia, o Congresso precisa fazer um projeto de decreto legislativo para disciplinar os efeitos que a MP produziu enquanto vigorou, mas isso nem sempre acontece. Algumas medidas que n\u00e3o chegaram a ser votadas produziram todos os efeitos assim que foram editadas porque tratavam da libera\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Se enquadram nesse caso a <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/136530\">MP 880\/2019<\/a>, que abriu cr\u00e9dito extraordin\u00e1rio de R$ 223,85 milh\u00f5es para a assist\u00eancia emergencial e acolhimento humanit\u00e1rio de imigrantes venezuelanos, e as MPs\u00a0<a href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/135615\">874\/2019<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/135616\">875\/2019<\/a>, que trataram do aux\u00edlio emergencial para fam\u00edlias de baixa renda v\u00edtimas da ruptura da barragem de Brumadinho (MG).<\/p>\n<h3><b>Novas regras<\/b><\/h3>\n<p>Para 2020, a expectativa dos parlamentares, especialmente dos senadores, \u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da chamada PEC das MPs (<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/137178\">PEC 91\/2019<\/a>), que altera as regras para a tramita\u00e7\u00e3o das medidas provis\u00f3rias e garante um prazo m\u00ednimo para que cada Casa possa analisar os textos. Atualmente, muitas MPs chegam ao Senado com prazo escasso para vota\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, isso acaba impedindo que sejam feitas altera\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 tempo para que o texto volte para a C\u00e2mara analisar poss\u00edveis mudan\u00e7as feitas pelo Senado.<\/p>\n<p>A PEC foi aprovada pelo Senado em 2011 e enviada \u00e0 C\u00e2mara, que concluiu a vota\u00e7\u00e3o em junho de 2019. Tamb\u00e9m em junho, o Senado recebeu o texto, fez altera\u00e7\u00f5es e aprovou a PEC, que ainda aguarda promulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Enquanto n\u00e3o se promulga a nova regra, novas MPs continuar\u00e3o sendo editadas alterando a legisla\u00e7\u00e3o ou criando novas regras instituindo direitos e obriga\u00e7\u00f5es a todo o povo brasileiro. MP editada \u00e9 lei no mesmo dia, mas cuja aprecia\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 em desacordo com as normas j\u00e1 aprovadas pelo pr\u00f3prio Congresso e cuja vig\u00eancia n\u00e3o pode estar condicionada a ju\u00edzo de conveni\u00eancia ou de oportunidade \u2014 argumentou o senador Paulo Paim (PT-RS), ao defender a promulga\u00e7\u00e3o da PEC.<\/p>\n<p>O problema que atrasa a promulga\u00e7\u00e3o segundo o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, \u00e9 uma diverg\u00eancia da parte da assessoria t\u00e9cnica da C\u00e2mara e do Senado com rela\u00e7\u00e3o ao texto. Ele prometeu discutir a quest\u00e3o com o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, para dar uma resposta sobre a promulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><b>Novos prazos<\/b><\/h3>\n<p>A PEC 91\/2019 altera as regras e prazos de tramita\u00e7\u00e3o das medidas provis\u00f3rias. As novas normas asseguram ao Senado pelo menos 30 dias para analisar as medidas provis\u00f3rias editadas pelo Poder Executivo. Pela regra atualmente em vigor, uma MP perde a efic\u00e1cia se n\u00e3o for convertida em lei em at\u00e9 120 dias, sem definir prazos para a comiss\u00e3o mista ou para cada uma das Casas do Congresso.<\/p>\n<p>A PEC define prazos espec\u00edficos para cada fase de tramita\u00e7\u00e3o das MPs. A comiss\u00e3o mista de deputados e senadores ter\u00e1 40 dias para votar a proposta. Em seguida, a C\u00e2mara dos Deputados ter\u00e1 mais 40 dias. Depois disso, \u00e9 a vez do Senado, que ter\u00e1 30 dias para analisar a MP. Se os senadores apresentarem emendas, os deputados ter\u00e3o mais dez dias para apreci\u00e1-las. Nenhum desses prazos poder\u00e1 ser prorrogado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, fica estabelecido que uma MP entrar\u00e1 em regime de urg\u00eancia, ganhando prioridade na pauta de vota\u00e7\u00e3o, a partir do 30\u00ba dia de tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, do 20\u00ba dia de tramita\u00e7\u00e3o no Senado e durante todo o per\u00edodo de tramita\u00e7\u00e3o para revis\u00e3o na C\u00e2mara (se houver).<\/p>\n<p>Outra medida da PEC \u00e9 proibir a inclus\u00e3o nas medidas provis\u00f3rias dos chamados \u201cjabutis\u201d \u2014 dispositivos que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o texto original, mas pegam \u201ccarona\u201d na tramita\u00e7\u00e3o acelerada das MPs para virarem lei rapidamente. Com as novas regras, passa a ser vedado o acr\u00e9scimo de mat\u00e9rias estranhas ao objeto original da MP, que n\u00e3o sejam vinculadas a ele \u201cpor afinidade, pertin\u00eancia ou conex\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Ag\u00eancia Senado<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro foram editadas 48 medidas provis\u00f3rias, das quais 24 j\u00e1 tiveram a an\u00e1lise encerrada pelo Congresso. Dessas, 11 medidas n\u00e3o viraram leis porque perderam o prazo para a vota\u00e7\u00e3o ou foram rejeitadas pelos deputados e senadores. Para 2020, 24 delas ainda est\u00e3o com an\u00e1lise pendente pelos parlamentares. 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