{"id":14408,"date":"2022-08-12T17:31:56","date_gmt":"2022-08-12T20:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=14408"},"modified":"2022-08-12T17:31:56","modified_gmt":"2022-08-12T20:31:56","slug":"producao-obrigatoria-de-energia-a-partir-de-gas-natural-pode-gerar-impacto-de-r-867-bilhoes-sobre-o-custo-da-eletricidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvarius.com.br\/index.php\/2022\/08\/12\/producao-obrigatoria-de-energia-a-partir-de-gas-natural-pode-gerar-impacto-de-r-867-bilhoes-sobre-o-custo-da-eletricidade\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de energia a partir de g\u00e1s natural pode gerar impacto de R$ 86,7 bilh\u00f5es sobre o custo da eletricidade"},"content":{"rendered":"<p>A obrigatoriedade da produ\u00e7\u00e3o de 8 gigawatts (GW) de energia a g\u00e1s natural pode gerar um impacto de R$ 86,75 bilh\u00f5es sobre o custo da eletricidade, segundo estimativas da Associa\u00e7\u00e3o dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). A instala\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria est\u00e1 prevista na Lei da Desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras (n\u00ba 14.182\/2021).<\/p>\n<p>Segundo a Abrace, atualmente o custo anual da constru\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de energia termel\u00e9trica \u00e9 de R$ 20 bilh\u00f5es, custeado pelos consumidores. Com a contrata\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria do g\u00e1s natural, o impacto ser\u00e1 maior entre 2027 e 2030, quando essas termel\u00e9tricas entrarem em opera\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n<p>Segundo o diretor de Energia El\u00e9trica da Abrace, Victor iOcca, a principal justificativa da decis\u00e3o legal \u00e9 levar g\u00e1s natural para o interior do pa\u00eds por meio das usinas termoel\u00e9tricas. No entanto, a medida \u00e9 ineficiente do ponto de vista econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s consumidores vamos pagar pela constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o dessas termel\u00e9tricas. E, depois, ainda vamos pagar pelas linhas de transmiss\u00e3o para trazer essa energia de volta para os principais centros de consumo; dado que a gera\u00e7\u00e3o dessa energia em grandes termel\u00e9tricas n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel ser [totalmente] consumida no interior do pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Victor iOcca afirma ainda que o aumento do pre\u00e7o da energia el\u00e9trica tem impacto direto no or\u00e7amento dos brasileiros. &#8220;Hoje, a cada R$ 1 que o brasileiro gasta na sua conta de luz, ele gasta pelo menos outros R$ 2 nos produtos e servi\u00e7os que ele consome. Por exemplo, produtos de consumo como p\u00e3o, carne, leite e frango, pelo menos 30% do custo final desses produtos \u00e9 energia.\u201d<\/p>\n<p>A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) estima que o Brasil necessita de 12 GW de termel\u00e9tricas para suprir a demanda energ\u00e9tica nos pr\u00f3ximos anos. No entanto, a diretora da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Biog\u00e1s (Abiog\u00e1s), Tamar Roitman, explica que \u201cisso deve ser feito com neutralidade tecnol\u00f3gica, com base na melhor efici\u00eancia alocativa e na redu\u00e7\u00e3o dos custos de gera\u00e7\u00e3o de energia. A exig\u00eancia de que as usinas sejam constru\u00eddas em regi\u00f5es em que n\u00e3o h\u00e1 suprimento de g\u00e1s natural vai contra esses princ\u00edpios.\u201d<\/p>\n<h2>Biog\u00e1s<\/h2>\n<p>Para Tamar Roitman, o biog\u00e1s \u00e9 uma alternativa para o suprimento de energia no interior do pa\u00eds. \u201cEssas regi\u00f5es poderiam ter suas necessidades supridas pelo biog\u00e1s, uma vez que h\u00e1 um enorme potencial ainda pouco explorado deste energ\u00e9tico, evitando investimentos em infraestrutura pela caracter\u00edstica da gera\u00e7\u00e3o junto \u00e0 carga, promovendo ainda a gest\u00e3o de res\u00edduos e fornecendo energia el\u00e9trica limpa e descarbonizada.\u201d<\/p>\n<p>As usinas termel\u00e9tricas a biog\u00e1s utilizam os mesmos equipamentos e a infraestrutura das usinas a g\u00e1s natural, com a mesma efici\u00eancia energ\u00e9tica. O diferencial \u00e9 que o biog\u00e1s \u00e9 um combust\u00edvel renov\u00e1vel, com elevado potencial no interior do pa\u00eds, al\u00e9m de n\u00e3o precisar de altos investimentos em gasodutos de transporte para viabilizar o consumo.<\/p>\n<p>\u201cO biog\u00e1s pode ser produzido a partir de qualquer tipo de res\u00edduo org\u00e2nico, sendo que os setores com maior potencial de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o: sucroenerg\u00e9tico, prote\u00edna animal, agricultura e saneamento. O processo natural de decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica gera o biog\u00e1s, que, quando captado, pode ser aproveitado para a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica ou, quando purificado, para produ\u00e7\u00e3o do biometano, um combust\u00edvel equivalente e intercambi\u00e1vel com o g\u00e1s natural de origem f\u00f3ssil\u201d, explica a diretora da Abiog\u00e1s.<\/p>\n<p>Segundo a Abiog\u00e1s, o Brasil possui o maior potencial de produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s no mundo, podendo chegar a 121 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de biometano diariamente. Esse volume \u00e9 maior do que toda a oferta de g\u00e1s natural do Brasil. Se todo o potencial nacional fosse aproveitado, seria poss\u00edvel atender 34,5% da demanda por energia el\u00e9trica ou 70% da demanda de diesel no transporte.<\/p>\n<p>Tamar Roitman comenta outras vantagens do biog\u00e1s. \u201cPor ser um combust\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o nacional, o biog\u00e1s possui previsibilidade de pre\u00e7os, tendo corre\u00e7\u00e3o pelo IPCA, o que garante a seguran\u00e7a de oferta e mitiga a exposi\u00e7\u00e3o do consumidor ao c\u00e2mbio. Seu atributo de gera\u00e7\u00e3o descentralizada promove a interioriza\u00e7\u00e3o da oferta de g\u00e1s, levando este combust\u00edvel para regi\u00f5es onde ainda n\u00e3o h\u00e1 infraestrutura de gasodutos de transporte.\u201d<\/p>\n<h2>Impactos na Ind\u00fastria<\/h2>\n<p>A diretora de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, a CNI, M\u00f4nica Messenberg, afirma que o aumento do pre\u00e7o da energia impacta diretamente na competitividade dos produtos nacionais. Por isso, ela cita a moderniza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, por meio do projeto de lei 414\/2021, como alternativa, sem a necessidade de medidas que possam aumentar o custo da energia.<\/p>\n<p>\u201cO PL 414 prop\u00f5e uma reestrutura\u00e7\u00e3o do modelo de regula\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, com o objetivo de modernizar o setor de forma equilibrada, sem comprometer a sustentabilidade e a competitividade da energia, ou penalizar os consumidores com a cria\u00e7\u00e3o de novos encargos setoriais.\u201d<\/p>\n<p>O PL estimula a amplia\u00e7\u00e3o do mercado livre de energia, para aumentar a concorr\u00eancia dos pre\u00e7os do insumo e favorecer a redu\u00e7\u00e3o dos valores. Segundo M\u00f4nica Messenberg, a expans\u00e3o do mercado livre gera ganhos de efici\u00eancia na gest\u00e3o, contratos adaptados \u00e0s caracter\u00edsticas do neg\u00f3cio e a possibilidade de modicidade dos pre\u00e7os, sem que os consumidores que optem por permanecer no mercado regulado subsidiem aqueles que migraram para o mercado livre.<\/p>\n<p>\u201cEm maio de 2022, o custo m\u00e9dio de energia comprada no mercado regular era da ordem de R$ 270 por megawatt\/hora. Sem considerar as bandeiras tarif\u00e1rias e os impostos. J\u00e1 no mercado livre, no mesmo m\u00eas, esse custo n\u00e3o chega a R$ 175 por megawatt\/hora\u201d, explica M\u00f4nica Messenberg.<\/p>\n<p>Fonte: Brasil 61<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obrigatoriedade da produ\u00e7\u00e3o de 8 gigawatts (GW) de energia a g\u00e1s natural pode gerar um impacto de R$ 86,75 bilh\u00f5es sobre o custo da eletricidade, segundo estimativas da Associa\u00e7\u00e3o dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). A instala\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria est\u00e1 prevista na Lei da Desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras (n\u00ba 14.182\/2021). 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